
A Yamaha Ténéré é um dos nomes mais respeitados do motociclismo aventureiro. Durante anos, a Ténéré 660 conquistou uma legião de fãs graças à sua robustez, simplicidade mecânica e capacidade de enfrentar praticamente qualquer terreno. Agora, com a chegada da aguardada Ténéré 700 ao Brasil, muitos motociclistas estão diante de uma dúvida difícil: vale a pena investir quase R$ 73 mil na nova geração ou uma Ténéré 660 usada por cerca de R$ 45 mil continua sendo o melhor negócio?
A resposta não é tão simples quanto parece.

O que mudou da Ténéré 660 para a Ténéré 700?
Embora compartilhem o mesmo nome e a mesma proposta aventureira, estamos falando de motos completamente diferentes.
A Ténéré 660 foi desenvolvida em uma época em que a simplicidade era prioridade. Seu motor monocilíndrico é conhecido pela durabilidade, manutenção relativamente simples e excelente autonomia para viagens longas.
Já a Ténéré 700 representa uma nova geração de motocicletas adventure. Equipada com o renomado motor CP2 bicilíndrico de 689 cm³, a mesma base utilizada pela MT-07, ela entrega potência, torque e suavidade muito superiores ao modelo anterior.
Na prática, a diferença é enorme.
Enquanto a Ténéré 660 exige mais do piloto em ultrapassagens e viagens rodoviárias, a Ténéré 700 oferece acelerações mais fortes, retomadas rápidas e muito mais conforto em velocidades de cruzeiro elevadas.
Desempenho: aqui está a maior diferença
Se o objetivo é apenas passeios tranquilos, deslocamentos urbanos e algumas viagens ocasionais, a Ténéré 660 continua cumprindo seu papel com competência.
Porém, quando o assunto é desempenho, a Ténéré 700 está em outro patamar.
O motor CP2 entrega aproximadamente 72 cv, contra cerca de 48 cv da antiga 660. Mais importante do que os números é a forma como essa potência é entregue. O bicilíndrico oferece funcionamento suave, menos vibração e muito mais elasticidade em qualquer faixa de rotação.
Para quem costuma viajar carregado, levar garupa ou enfrentar longos trechos rodoviários, a diferença é perceptível desde os primeiros quilômetros.
Off-road: qual é realmente melhor?
Muitos acreditam que a Ténéré 660 leva vantagem por ser mais simples. Mas a realidade é mais complexa.
A Ténéré 700 foi projetada com forte inspiração nas motos de rali da Yamaha. Ela utiliza rodas de 21 e 18 polegadas, suspensão de longo curso, chassi estreito e uma distribuição de peso desenvolvida especificamente para uso misto entre asfalto e terra.
Em trilhas rápidas, estradas de terra e expedições de longa distância, a Ténéré 700 demonstra um nível de controle e estabilidade muito superior.
Por outro lado, a Ténéré 660 ainda possui um grande trunfo: simplicidade mecânica. Em viagens remotas, especialmente para quem gosta de aventuras em regiões afastadas, essa característica continua sendo extremamente valorizada.
Tecnologia e equipamentos
Aqui não existe comparação.
A Ténéré 700 chega equipada com recursos modernos como:
- Painel TFT colorido;
- Conectividade com smartphone;
- Controle de tração;
- Modos de ABS configuráveis;
- Acelerador eletrônico;
- Porta USB integrada;
- Sistema eletrônico atualizado.
A Ténéré 660 pertence a uma geração onde praticamente tudo era resolvido pelo punho do acelerador e pela habilidade do piloto.
Para alguns isso é uma desvantagem.
Para outros, é justamente o charme da moto.
Custos de manutenção
Esse é um ponto frequentemente ignorado.
Uma Ténéré 660 bem conservada pode oferecer custos de aquisição significativamente menores. Além disso, muitos proprietários já conhecem profundamente o modelo e existe ampla disponibilidade de peças paralelas e mão de obra especializada.
A Ténéré 700, apesar da reconhecida confiabilidade da Yamaha, possui um projeto mais sofisticado e naturalmente terá custos maiores em revisões, acessórios e eventuais reparos.
Por isso, não basta analisar apenas o preço de compra.
É importante considerar o custo total de propriedade ao longo dos próximos anos.
E o valor de revenda?
A Ténéré 660 alcançou um status quase cult no mercado brasileiro.
Mesmo sendo uma moto fora de linha há anos, continua extremamente valorizada. Isso explica por que exemplares bem conservados frequentemente ultrapassam os R$ 40 mil.
Já a Ténéré 700 chega ao mercado com enorme expectativa e tende a manter boa valorização graças à forte demanda reprimida dos fãs da marca.
Nesse aspecto, ambas possuem excelente liquidez.
Afinal, qual vale mais a pena?
A resposta depende do perfil do motociclista.
Escolha a Ténéré 660 se você:
- Busca o melhor custo-benefício;
- Valoriza simplicidade mecânica;
- Faz viagens ocasionais;
- Gosta de manutenção mais acessível;
- Quer entrar no universo adventure gastando menos.
Escolha a Ténéré 700 se você:
- Faz viagens frequentes e longas;
- Procura mais desempenho;
- Quer tecnologia moderna;
- Busca maior conforto em rodovias;
- Pretende manter a moto por muitos anos.
A verdade que poucos falam
A discussão entre Ténéré 660 e Ténéré 700 não é apenas sobre potência ou tecnologia.
Na prática, estamos comparando duas filosofias diferentes de motociclismo.
A Ténéré 660 representa a era da simplicidade, da resistência e da mecânica quase indestrutível.
A Ténéré 700 representa a evolução natural da categoria adventure, entregando desempenho, conforto e tecnologia sem abandonar a essência aventureira que tornou o nome Ténéré tão respeitado.
Se o orçamento permitir, a Ténéré 700 é objetivamente a melhor motocicleta.
Mas isso não significa que a Ténéré 660 deixou de ser uma excelente compra.
Para muitos motociclistas, especialmente aqueles que valorizam robustez e custo-benefício, a velha guerreira continua sendo uma das motos mais inteligentes do mercado brasileiro.

Diego Pereira (Diego CM), apaixonado por motocicletas, um clássico e experiente viajante que já rodou metade do Brasil sobre duas rodas, com mais de 15 anos criando conteúdo para sites, blogs, Youtube e rede sociais.


