
Quando falamos em moto de trabalho, é quase impossível não lembrar das motocicletas da Honda. A linha CG domina esse segmento há décadas e, mesmo com a chegada de novas concorrentes, a CG 160 continua sendo uma das principais referências entre quem precisa de uma moto econômica para trabalhar ou se locomover diariamente.
Só que o mercado está mudando. Em 2026, já é possível perceber que o consumidor tem mais opções na hora de escolher uma motocicleta para o dia a dia. E não estou falando apenas de outras marcas. Nas grandes cidades, o aluguel de motos também ganhou espaço e virou uma alternativa para quem precisa trabalhar sobre duas rodas, mas não quer assumir uma dívida para comprar uma moto nova.
Quanto custa uma CG 160 zero km?
Vamos colocar isso em números. A Honda CG 160 Start 2026 tem preço público sugerido de R$ 17.350, segundo a própria Honda. O detalhe é que esse valor não inclui o frete, e o preço final pode variar conforme a região e a concessionária.
Ou seja, aqueles R$ 17.350 que aparecem no anúncio não representam necessariamente o valor que o comprador vai desembolsar para sair da loja com a moto pronta para rodar. Quando entram na conta frete, documentação, emplacamento e outros custos da compra, a conta pode passar dos R$ 18 mil com facilidade.
E aqui começa o problema para quem compra a moto como ferramenta de trabalho.
Quem depende da motocicleta para fazer entregas ou se deslocar diariamente precisa pensar não apenas na parcela do financiamento, mas em combustível, manutenção, seguro, documentação e todos os outros gastos que vêm junto com a moto.
No financiamento, a situação fica ainda mais pesada, porque o comprador não paga apenas o preço da motocicleta. Os juros podem fazer com que o valor total desembolsado ao longo dos anos fique bem acima do preço anunciado.
É por isso que, antes de simplesmente entrar em uma concessionária e financiar uma CG 160, vale olhar o que existe do outro lado da rua.
E quanto custa o seguro de uma CG 160?
O seguro é outro gasto que muita gente acaba esquecendo quando faz as contas para comprar uma moto.
No caso da CG 160, o preço varia bastante conforme o perfil do condutor, cidade, idade, local onde a motocicleta fica guardada e coberturas contratadas. Uma referência de mercado para 2026 aponta valores de aproximadamente R$ 650 a R$ 1.400 por ano para a CG 160 Start, mas esse valor não deve ser tratado como uma cotação individual.
Na prática, um seguro de R$ 1.200 por ano representa cerca de R$ 100 por mês. Parece pouco quando olhamos isoladamente, mas quando colocamos esse valor junto com financiamento, combustível, manutenção e documentação, a história muda.
E tem outro detalhe: quem utiliza a moto profissionalmente pode encontrar condições diferentes de seguro, justamente por causa da utilização do veículo. Por isso, o ideal é sempre fazer uma cotação de acordo com o perfil real do motociclista.

Existem alternativas mais baratas que a CG 160?
Sim. E algumas delas podem surpreender.
A Yamaha Factor 150, por exemplo, chegou à linha 2026 com preço sugerido de R$ 18.490 na versão de entrada e R$ 18.990 na versão DX, sem considerar o frete. Ou seja, ela não é necessariamente mais barata que a CG 160 Start, mas está praticamente na mesma faixa de preço e pode ser uma alternativa para quem prefere a Yamaha.
Outra opção é a Haojue DK 160. No site da marca, o modelo aparece por R$ 16.950 mais frete, colocando a motocicleta abaixo do preço sugerido da CG 160 Start. Além disso, a DK 160 tem motor de 160 cm³ com 15 cv, mostrando que existe concorrência de verdade nesse segmento.
A Bajaj Pulsar N150 é ainda mais interessante quando olhamos apenas para o preço. A marca anunciou preço público sugerido de R$ 16.500 para o modelo 2026/2027, à vista, embora as condições estejam sujeitas a disponibilidade e possam mudar.
Já quem procura uma moto com uma proposta mais sofisticada pode olhar para a Yamaha FZ15 ABS Connected. O preço público sugerido do modelo 2026 é de R$ 21.190 sem frete, e a Yamaha também oferece a opção de venda com frete incluído, chegando a R$ 22.310 em uma das condições divulgadas.
A Haojue DR 160 também entra nessa lista. A própria marca informa preço de R$ 20.900 mais frete, enquanto o modelo entrega 15 cv e uma proposta mais esportiva.
Comparando os preços
| Modelo | Preço de referência |
|---|---|
| Bajaj Pulsar N150 | R$ 16.500 |
| Haojue DK 160 | R$ 16.950 + frete |
| Honda CG 160 Start | R$ 17.350 + frete |
| Yamaha Factor 150 | R$ 18.490 + frete |
| Haojue DR 160 | R$ 20.900 + frete |
| Yamaha FZ15 ABS Connected | R$ 21.190 + frete |
Os valores são preços públicos sugeridos ou referências divulgadas pelas fabricantes e podem mudar conforme região, frete, estoque e condições comerciais.
O que essa comparação mostra é que a CG 160 não está sozinha. Pelo contrário: hoje existem motos que custam menos e outras que custam um pouco mais, oferecendo propostas diferentes.
Mas preço não é tudo. Para quem trabalha com a moto, disponibilidade de peças, rede de assistência, consumo, manutenção e facilidade de revenda também pesam muito na decisão.
Alugar uma moto pode ser uma alternativa à compra
E aqui entra uma mudança que considero ainda mais interessante: e se, em vez de comprar a moto, você simplesmente alugasse uma?
O aluguel de motocicletas vem ganhando espaço principalmente entre pessoas que precisam da moto para trabalhar, mas não querem ou não conseguem assumir o financiamento de uma motocicleta nova.
Empresas especializadas oferecem planos de locação com diferentes modelos e períodos de utilização. Dependendo do contrato, alguns custos que normalmente ficam por conta do proprietário podem estar incluídos, como manutenção e documentação.
Para quem trabalha com entregas, por exemplo, isso pode fazer sentido porque transforma a moto em uma espécie de ferramenta de trabalho com um custo mensal mais previsível.
Mas é aqui que precisa existir cuidado: alugar não significa automaticamente economizar.
Se a pessoa ficar muitos anos pagando aluguel, o valor acumulado pode superar — e muito — o preço de uma motocicleta própria. Por outro lado, para quem está começando a trabalhar com entregas, precisa da moto por um período determinado ou ainda não tem dinheiro para dar entrada em um financiamento, o aluguel pode ser uma maneira de começar sem assumir uma dívida de longo prazo.
No fim, a CG 160 ainda faz sentido?
A resposta é: depende.
A CG 160 continua tendo muitos argumentos a seu favor. É uma moto conhecida, possui ampla presença no mercado e tem uma grande quantidade de unidades circulando pelo país. Isso ajuda na manutenção, na disponibilidade de peças e também na hora de revender a motocicleta.
Mas isso não significa que ela seja automaticamente a melhor escolha para todo mundo.
Se o objetivo é gastar o mínimo possível na compra de uma moto nova, a Pulsar N150 e a Haojue DK 160 merecem uma olhada. Quem prefere uma marca mais tradicional pode considerar a Yamaha Factor 150. Já quem quer mais equipamentos e aceita gastar um pouco mais pode olhar para a FZ15.
E existe ainda uma quarta possibilidade: não comprar.
Para quem precisa da motocicleta apenas como ferramenta de trabalho, colocar na ponta do lápis compra, financiamento, seguro, manutenção e aluguel pode revelar que a melhor decisão não é necessariamente aquela que todo mundo está acostumado a tomar.
No fim das contas, a CG 160 continua sendo uma ótima opção, mas em 2026 o consumidor tem algo que há alguns anos era bem mais difícil de encontrar: escolha.

Diego Pereira, mais conhecido como Diego CM, é criador de conteúdo automotivo e especialista no universo das motocicletas. Apaixonado pelas duas rodas, já percorreu milhares de quilômetros em viagens de moto por diversas regiões do Brasil, acumulando experiência prática que serve de base para suas análises, testes e conteúdos.


