
A Kawasaki Z900 continua sendo uma das principais apostas da Kawasaki no mercado brasileiro. E os números de vendas mostram que, apesar de atuar em um segmento bastante disputado, a naked japonesa encontrou seu espaço.
Segundo os dados do mercado mostrados no levantamento, a Z900 soma 1.766 unidades no acumulado de 2026, garantindo 4,25% de participação dentro da categoria Naked/Roadster.
O número coloca a Kawasaki na 8ª posição do ranking, atrás de modelos como Yamaha MT-03, Bajaj Dominar 400, Bajaj NS400Z e Honda CB500.
Mas existe um detalhe interessante nessa história: a Z900 está brigando em uma faixa de mercado na qual preço, cilindrada e proposta são bastante diferentes entre os concorrentes.

Z900 vendeu 197 unidades em agosto
Em agosto de 2026, a Z900 registrou 197 unidades, contra 241 em julho.
Na prática, houve uma retração de aproximadamente 18,3% nas vendas mensais. Ainda assim, o acumulado de 1.766 unidades mantém a Kawasaki em uma posição relevante dentro do segmento.
E aqui está um dos pontos que mais chamam atenção.
A Z900 ficou apenas 83 unidades atrás da Royal Enfield Guerrilla 450, que acumulava 1.683 unidades, e 294 unidades à frente da Honda CB 650R, que tinha 1.472 emplacamentos.
Ou seja: mesmo com uma proposta mais sofisticada e um motor de quatro cilindros, a Z900 consegue disputar espaço com modelos que têm estratégias bem diferentes no mercado.

O que a Z900 oferece no Brasil?
A Z900 2026 é uma daquelas motos que não precisa fazer muito esforço para chamar atenção.
O visual Sugomi continua sendo uma das principais marcas da Kawasaki, mas a geração atual vai além do desenho agressivo.
A moto utiliza um motor de quatro cilindros em linha de 948 cm³, capaz de entregar 124 cv a 9.500 rpm e 9,9 kgfm de torque a 7.700 rpm.
E é justamente aqui que a Z900 começa a se distanciar de boa parte das rivais.
Enquanto algumas concorrentes apostam em motores bicilíndricos para reduzir peso, custos e consumo, a Kawasaki segue defendendo uma fórmula que ainda tem muitos fãs: quatro cilindros, giro alto e entrega de potência linear.
A transmissão tem seis marchas e a motocicleta conta ainda com recursos como quick shifter, controle de tração, modos de potência, IMU, ABS e gerenciamento de curvas.
Para completar o pacote, a Z900 2026 recebeu painel TFT de 5 polegadas e controle de cruzeiro eletrônico, dois equipamentos que ajudam a transformar uma naked esportiva em uma moto mais interessante também para viagens.

E o preço?
No Brasil, a Kawasaki informa R$ 61.890 para a Z900 2026, sem considerar o frete.
E esse é provavelmente um dos pontos mais importantes para entender os números de vendas.
A Z900 não é uma moto de entrada. Pelo contrário. Ela está posicionada em uma faixa na qual o consumidor já começa a olhar para motos maiores, mais potentes e mais equipadas.
Por isso, seus 1.766 emplacamentos ganham ainda mais relevância.

Z900 contra as concorrentes
O ranking ajuda a entender como a disputa está interessante.
A líder da categoria é a Yamaha MT-03, com 6.233 unidades acumuladas e 14,99% de participação. Logo atrás aparece a Bajaj Dominar 400, com 5.870 unidades e 14,12%.
A Bajaj NS400Z soma 3.977 unidades, enquanto a Honda CB500 aparece com 2.620. Só que comparar esses modelos diretamente seria injusto. MT-03 e Dominar 400 têm propostas e preços diferentes da Kawasaki.
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É justamente por isso que a Z900 chama atenção: ela consegue se manter competitiva mesmo atuando em um território mais caro e especializado. E tem outro detalhe. A Z900 ficou 83 unidades à frente da Guerrilla 450 e 294 unidades acima da CB 650R no acumulado apresentado. Isso mostra que a Kawasaki não está apenas vendendo para um nicho extremamente pequeno. Existe uma demanda consistente por uma naked de quatro cilindros nessa faixa.
O desafio da Kawasaki
O grande desafio da Z900 é continuar crescendo em um mercado que oferece cada vez mais alternativas. A chegada de modelos como a Dominar 400, NS400Z e outras motos de média cilindrada aumentou a pressão sobre as motocicletas mais caras.
Por outro lado, a Z900 tem uma carta importante na manga: motor. São 124 cv, quatro cilindros e um pacote eletrônico bastante completo. Além disso, a Kawasaki conseguiu manter a identidade da moto sem transformar a Z900 em uma máquina excessivamente complicada para uso cotidiano.
E talvez seja justamente essa combinação que explique os números. A Z900 não é a naked mais vendida do Brasil, mas também está longe de ser coadjuvante. Com 1.766 unidades no acumulado e 4,25% de participação, ela mostra que ainda existe espaço para uma moto de quatro cilindros em meio à enxurrada de modelos bicilíndricos e de menor cilindrada.
No fim das contas, a Kawasaki parece ter escolhido um caminho claro: menos volume, mais personalidade e um motor que continua sendo um dos grandes argumentos da categoria.

Diego Pereira, mais conhecido como Diego CM, é criador de conteúdo automotivo e especialista no universo das motocicletas. Apaixonado pelas duas rodas, já percorreu milhares de quilômetros em viagens de moto por diversas regiões do Brasil, acumulando experiência prática que serve de base para suas análises, testes e conteúdos.


