
A Honda CRF1100L Africa Twin é uma daquelas motos que não precisam de muita apresentação. O nome já carrega uma história importante no mundo das big trails, mas a geração atual mostra que a Honda não vive apenas de tradição. Com motor de 1.084 cm³, quase 100 cv e três configurações diferentes no Brasil, a Africa Twin 2026 tenta equilibrar desempenho, tecnologia e capacidade para viagens longas e trechos fora do asfalto.
E o preço acompanha essa proposta. A Africa Twin parte de R$ 85.500 na versão MT e pode chegar a R$ 116.513 na Adventure Sports DCT ES. Os valores são preços públicos sugeridos pela Honda, com base em São Paulo e sem despesas de frete.
Quanto custa a Honda Africa Twin 2026?
A linha atual tem três opções. A mais acessível é a Africa Twin MT, com câmbio manual de seis marchas, por R$ 85.500.
Para quem prefere o câmbio automatizado DCT, a Africa Twin DCT ES custa R$ 96.346. Já a configuração mais sofisticada é a Adventure Sports DCT ES, que chega a R$ 116.513.
| Versão | Preço sugerido | Potência | Torque |
|---|---|---|---|
| Africa Twin MT | R$ 85.500 | 99,3 cv | 10,9 kgf.m |
| Africa Twin DCT ES | R$ 96.346 | 99,3 cv | 10,9 kgf.m |
| Africa Twin Adventure Sports DCT ES | R$ 116.513 | 99,3 cv | 10,9 kgf.m |
Os preços são sugeridos pela Honda e podem variar conforme região e frete.
Quase 100 cv em uma big trail que também encara terra
O motor da Africa Twin é um bicilíndrico paralelo de 1.084 cm³. Na configuração brasileira, são 99,3 cv a 7.500 rpm e 10,9 kgf.m de torque a 5.250 rpm. Mais do que o número de potência, o interessante aqui é a proposta da moto. A Africa Twin foi desenvolvida para funcionar tanto em viagens de estrada quanto em terrenos de menor aderência.
A versão MT mantém roda dianteira de 21 polegadas, característica que favorece a utilização fora de estrada. Já a Adventure Sports passou a utilizar roda dianteira de 19 polegadas, ficando mais direcionada para quem pretende rodar bastante no asfalto e viajar longas distâncias.
Outro destaque é o pacote eletrônico. A moto conta com painel TFT de 6,5 polegadas, integração com Android Auto e Apple CarPlay, controle de torque, modos de pilotagem e diferentes configurações de ABS e entrega de potência.

E o câmbio DCT?
Esse é provavelmente um dos maiores diferenciais da Africa Twin. O sistema Dual Clutch Transmission, conhecido como DCT, permite que a moto faça as trocas de marcha automaticamente, mas também possibilita ao piloto realizar mudanças manualmente pelos comandos no guidão.
Na versão DCT ES, a Honda também oferece suspensão eletrônica Showa EERA, com diferentes modos de ajuste. Na Adventure Sports, o conjunto ainda ganha uma proposta mais voltada para viagens, incluindo tanque de maior capacidade e roda dianteira de 19 polegadas. Ou seja, pagar mais pela DCT não significa simplesmente trocar o pedal de câmbio por um sistema automático. Existe um pacote tecnológico consideravelmente mais completo.

A Africa Twin vende bem no Brasil?
Aqui aparece uma parte interessante da história. A Africa Twin não é uma moto de volume como uma CG 160 ou uma XRE 190. Estamos falando de uma motocicleta que custa mais de R$ 80 mil e disputa um mercado muito menor. Mesmo assim, ela aparece entre as big trails mais emplacadas do país. De janeiro a junho de 2026, a CRF 1100L Africa Twin registrou 763 emplacamentos, segundo levantamento baseado nos dados de mercado. Foram 55 unidades em janeiro, 124 em fevereiro, 147 em março, 160 em abril, 146 em maio e 131 em junho.
Para colocar o número em perspectiva, a BMW R 1300 GS somou 2.551 unidades no mesmo período, enquanto a Triumph Tiger 900 chegou a 1.478. A Honda também aparece forte com a NX500, que acumulou 3.222 unidades. Portanto, a Africa Twin não lidera o segmento, mas também está longe de ser uma moto esquecida pelo consumidor brasileiro.
O preço é o principal problema?
Na minha opinião, esse é justamente o ponto que mais merece atenção. R$ 85.500 não é pouco dinheiro. E a conta sobe rapidamente quando entram frete, documentação, acessórios e equipamentos para viagem.
Por outro lado, a Africa Twin MT entrega uma combinação interessante: quase 100 cv, motor de grande cilindrada, roda dianteira de 21 polegadas, eletrônica avançada, capacidade para viajar e uma proposta realmente versátil. O problema aparece quando chegamos aos R$ 116.513 da Adventure Sports DCT ES. Nesse patamar, o comprador já encontra uma concorrência bastante forte entre as big trails premium. Ainda assim, existe uma característica que pesa a favor da Honda: a Africa Twin não tenta ser apenas uma moto confortável de estrada. Ela mantém uma identidade aventureira de verdade.
Afinal, a Honda Africa Twin vale o preço?
A resposta depende muito do uso. Para quem quer uma moto principalmente para cidade, obviamente não faz sentido gastar mais de R$ 85 mil em uma Africa Twin. É uma máquina grande, pesada e muito mais capaz do que o uso urbano exige.
Agora, para quem pretende viajar, pegar estradas ruins e eventualmente colocar as rodas na terra, a história muda. A Africa Twin 2026 continua sendo uma das motos mais completas da Honda no Brasil. Não é barata e não lidera as vendas entre as big trails, mas seus números mostram que existe público para uma moto desse tamanho e preço.
Na minha visão, a Africa Twin MT é a versão que mais chama atenção pelo equilíbrio. Ela custa R$ 85.500, mantém a roda dianteira de 21 polegadas e entrega praticamente toda a essência da Africa Twin sem chegar aos mais de R$ 116 mil da Adventure Sports. No fim das contas, é uma moto para quem realmente pretende usar tudo aquilo que está pagando. E, nesse caso, os quase 100 cv são apenas uma parte da história.

Diego Pereira, mais conhecido como Diego CM, é criador de conteúdo automotivo e especialista no universo das motocicletas. Apaixonado pelas duas rodas, já percorreu milhares de quilômetros em viagens de moto por diversas regiões do Brasil, acumulando experiência prática que serve de base para suas análises, testes e conteúdos.


