
A Shineray 250F é daquelas motos que, quando a gente olha apenas para o preço, já chama atenção. Mas basta colocar a ficha técnica ao lado de modelos conhecidos do mercado, como Honda CB 300F Twister e Yamaha FZ25, para perceber que a proposta da marca vai além de simplesmente oferecer uma moto mais barata.
Atualmente, a 250F parte de R$ 20.590, em promoção enquanto durarem os estoques, com acréscimo informado de R$ 1.005,10 referente a frete e seguro.
E aqui está o ponto interessante: por esse valor, a Shineray entrega um pacote que, no papel, é bastante agressivo para a categoria.
Motor de 27,9 cv é o grande argumento
A 250F utiliza um motor monocilíndrico de 248,92 cm³, quatro válvulas, comando DOHC e refrigeração líquida. São 27,9 cv a 9.500 rpm e 22,5 Nm de torque a 7.250 rpm, trabalhando com câmbio de seis marchas.
Na prática, isso coloca a Shineray em uma posição interessante.
A Honda CB 300F Twister, por exemplo, tem motor de 293,5 cm³ e entrega 24,5 cv com gasolina ou 24,7 cv com etanol, além de até 26,2 Nm de torque com etanol.
Ou seja: apesar de ter quase 45 cm³ a menos que a Honda, a 250F anuncia mais potência máxima.
Isso não significa automaticamente que ela será mais rápida em qualquer situação. Relação de transmissão, curva de torque, peso, aerodinâmica e acerto do motor fazem muita diferença. Mas é um número que mostra que a Shineray não está chegando para ser apenas uma opção de entrada.
Contra a Yamaha FZ25, a situação fica ainda mais interessante. A Fazer aposta em um conjunto conhecido pela simplicidade e confiabilidade, enquanto a 250F vem com refrigeração líquida e um cabeçote DOHC de quatro válvulas. A Yamaha, por sua vez, mantém a proposta de uma moto urbana simples, econômica e de manutenção relativamente direta.

E na rua, o que isso significa?
É aqui que eu acho que a 250F fica interessante.
Para quem usa a moto todos os dias, potência máxima não é tudo. No trânsito pesado, o que importa é como a moto responde quando você precisa sair de um semáforo, entrar em uma avenida, ultrapassar um carro ou ganhar velocidade rapidamente.
Com quase 28 cv e câmbio de seis marchas, a 250F tem números que prometem uma condução mais esperta do que aquela que normalmente esperamos de uma 250.
O peso em ordem de marcha é de 155 kg, enquanto o entre-eixos fica em 1.360 mm. O banco está a 780 mm do chão.
São medidas que fazem sentido para uma street: não é uma moto pequena demais, mas também não parece exageradamente grande para enfrentar o trânsito urbano.
Outro detalhe que chama atenção é a distância livre do solo de 190 mm. Para quem enfrenta ruas brasileiras com lombadas, valetas e asfalto nem sempre perfeito, isso é um ponto positivo.
A suspensão é um diferencial
Talvez aqui esteja uma das características mais interessantes da Shineray.
A 250F utiliza garfo dianteiro invertido e monoamortecedor na traseira.
A Honda CB 300F utiliza garfo telescópico convencional na dianteira, enquanto a Yamaha FZ25 também segue uma proposta mais tradicional.
Não dá para afirmar apenas olhando a ficha técnica que a Shineray será automaticamente mais confortável ou melhor de curva. Mas o garfo invertido normalmente permite um conjunto mais rígido na dianteira e passa uma sensação mais esportiva.
Para quem gosta de uma pilotagem mais firme, principalmente em curvas e mudanças rápidas de direção, é um equipamento que chama atenção.

ABS nas duas rodas: ponto muito importante
Aqui a Shineray dá um verdadeiro passo à frente da proposta mais simples.
A 250F possui ABS de dois canais, com discos nas duas rodas. O disco dianteiro tem 280 mm e o traseiro, 240 mm.
E isso não é apenas um item bonito na ficha técnica.
No uso real, especialmente em uma cidade onde chuva, areia e asfalto irregular fazem parte da rotina, o ABS pode ser uma diferença importante quando acontece uma frenagem de emergência.
A Yamaha FZ25 Connected também oferece ABS nas duas rodas.
Já a Honda CB 300F possui duas configurações: a versão ABS e a CBS, sendo a ABS naturalmente a mais interessante para quem coloca segurança como prioridade. A Honda atualmente parte de R$ 25.150 na CBS e R$ 26.150 na ABS, segundo os preços públicos exibidos pela marca.
É justamente nesse ponto que o preço da Shineray começa a fazer bastante sentido.

Equipamentos que fazem diferença no dia a dia
A 250F vem com painel totalmente digital, iluminação Full LED com DRL, rodas de liga leve, porta USB, banco bipartido e sensor no descanso lateral.
Nada disso sozinho transforma uma moto em um sucesso. Mas quando você junta tudo, o pacote fica interessante.
O painel mostra informações como velocidade, combustível, marcha, neutro, conta-giros e hodômetro.
Para quem utiliza a moto diariamente, o porta USB também é aquele tipo de equipamento que parece pequeno na concessionária, mas depois de alguns meses começa a fazer falta quando não existe.
A Yamaha FZ25 Connected leva vantagem na conectividade, já que pode trabalhar com o Yamaha Motor On, oferecendo recursos relacionados a utilização, manutenção e informações de pilotagem.
Nesse aspecto, a Yamaha ainda tem um pacote tecnológico mais elaborado.
Ficha técnica da Shineray 250F
| Itens | Especificação |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico, 4 tempos, 4 válvulas, DOHC |
| Cilindrada | 248,92 cm³ |
| Refrigeração | Líquida |
| Alimentação | Injeção eletrônica |
| Potência máxima | 27,9 cv a 9.500 rpm |
| Torque máximo | 22,5 Nm a 7.250 rpm |
| Câmbio | 6 marchas |
| Embreagem | Manual, multidiscos banhada a óleo |
| Partida | Elétrica |
| Diâmetro x curso | 72 x 61,2 mm |
| Bateria | 12V / 8,0 Ah |
| Chassi | Aço, tipo Diamond com estrutura em treliça |
| Suspensão dianteira | Garfo telescópico invertido |
| Suspensão traseira | Balança monoamortecedora (monoshock) |
| Freio dianteiro | Disco de 280 mm, acionamento hidráulico |
| Freio traseiro | Disco de 240 mm, acionamento hidráulico |
| Sistema de freios | ABS de duplo canal |
| Pneu dianteiro | 100/80 – 17” |
| Pneu traseiro | 130/70 – 17” |
| Comprimento | 2.065 mm |
| Largura | 810 mm |
| Altura | 1.065 mm |
| Altura do assento | 780 mm |
| Distância entre-eixos | 1.360 mm |
| Vão livre do solo | 190 mm |
| Peso em ordem de marcha | 155 kg |
| Carga máxima | 150 kg |
| Tanque de combustível | 13,5 litros |
| Iluminação | Full LED com DRL |
| Painel | 100% digital |
| Rodas | Liga leve |
| Porta USB | Sim |
| Banco | Bipartido |
| Sensor no descanso lateral | Sim |
Shineray 250F x Honda CB 300F x Yamaha FZ25
Se eu tivesse que resumir as três, colocaria assim:
Shineray 250F: é a opção que mais chama atenção pelo pacote e pela relação entre preço e equipamentos.
Honda CB 300F: é a escolha mais equilibrada para quem quer mais cilindrada, bom torque e a força de uma marca extremamente consolidada no mercado.
Yamaha FZ25: continua sendo uma alternativa muito interessante para quem prioriza uma moto conhecida, simples de usar, com boa reputação e agora também com conectividade.
E existe uma diferença importante de preço.
A 250F parte de R$ 20.590 em promoção, enquanto a FZ25 Connected aparece por R$ 25.290 no site da Yamaha e a CB 300F começa em R$ 25.150 na configuração CBS.
Estamos falando de uma diferença de aproximadamente R$ 4,5 mil para Honda ou Yamaha.
Para muita gente, esse dinheiro não é pouca coisa.

Então eu compraria a Shineray 250F?
Aqui eu acho que está a parte mais importante da história.
A Shineray 250F é uma moto que faz sentido no papel. Ela tem motor forte para a categoria, refrigeração líquida, seis marchas, ABS de dois canais, suspensão dianteira invertida, iluminação Full LED e uma boa quantidade de equipamentos.
Mas comprar uma moto não é olhar somente para a ficha técnica.
Honda e Yamaha possuem uma vantagem que não aparece na tabela: uma rede consolidada e uma percepção de mercado construída durante muitos anos. Isso pesa na hora de encontrar peças, vender a moto usada e lidar com manutenção.
Por outro lado, justamente por custar menos e entregar bastante equipamento, a 250F pode ser uma opção muito interessante para quem quer uma street nova sem chegar perto dos R$ 25 mil ou mais.
E é aí que eu vejo a importância dessa moto.
A Shineray não precisa necessariamente derrotar a CB 300F ou a FZ25 em todos os quesitos. Ela precisa fazer o consumidor olhar para as três e pensar: “Será que vale mesmo pagar mais?”
Quando uma moto consegue provocar essa pergunta, é sinal de que ela já começou a incomodar.
E, sinceramente, olhando para os números da 250F, a Shineray tem bons argumentos para isso.
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Diego Pereira, mais conhecido como Diego CM, é criador de conteúdo automotivo e especialista no universo das motocicletas. Apaixonado pelas duas rodas, já percorreu milhares de quilômetros em viagens de moto por diversas regiões do Brasil, acumulando experiência prática que serve de base para suas análises, testes e conteúdos.


